Espetáculo “Abatidos na saída de incêndio”

É o resultado do processo de montagem da XXVI Turma de Licenciatura em Teatro (IFCE). Em um restaurante surreal, todos os fregueses e funcionários são frangos em processo de humanização; a origem desse comportamento é obscura. Em um dia rotineiro, uma situação foge do controle, desencadeando uma histeria coletiva. Apesar dos esforços dos funcionários do lugar em abafar o acontecimento, aparentando ser este um caso isolado, os frangos nunca mais serão os mesmos.

ISTO NÃO É UMA MANOBRA!

Você vai sentar numa cadeira e seguir algum ritual de preparação para assistir um espetáculo de teatro, pois você veio a um teatro. Você espera uma história, ou pelo menos alguma representação que lhe leve a refletir sobre o mundo ao seu redor, pois o teatro representa o seu tempo. Sendo assim, nós falaremos sobre nosso tempo. Veja bem, nós falaremos sobre nosso tempo no momento em que estamos com vocês no mesmo tempo, dividindo o mesmo espaço: um palco. Mas não totalmente como vocês esperam que falemos. Ainda assim, falaremos. Isso não é uma manobra: aqui não usaremos uma máscara para que vocês não pensem que não somos nós mesmos. Aqui somos frangos abatidos na saída de incêndio. Não representaremos a morte hoje. Hoje, em outro lugar que não aqui, onde estamos aparentemente seguros, alguém dá seu último suspiro e você não precisa de uma representação para saber disso. Você só precisa saber disso.

SOBRE A TURMA E O PROCESSO DE COMPOSIÇÃO E MONTAGEM

A XXVI Turma da Licenciatura em Teatro do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia apresenta o espetáculo ABATIDOS NA SAÍDA DE INCÊNDIO. Com orientação de encenação da Profa. Dra. Fran Teixeira, o espetáculo parte da ideia de mesclar duas dramaturgias de estilos e estéticas diferentes em uma única obra. Decidimos, como ponto de partida, por dois materiais dramatúrgicos: “Nada para Pehuajó”, do dramaturgo argentino Júlio Cortázar, e “Insulto ao Público”, do austríaco Peter Handke. Da dramaturgia de Cortázar extraímos o ambiente e o clima, pautados no seu realismo fantástico – tudo em Cortázar soa estranhamente “normal” – ele nos inspira para o que queremos criar: uma atmosfera disfarçadamente normal, mas onde tudo deve ser questionado.

Nesse primeiro momento, há a tentativa de representar uma histeria coletiva atual, nossa ideia acerca das relações político-sociais hoje: um grande abatedouro aberto. Tendo um restaurante como espaço, sintetizamos essa ideia de “matança” em um local onde comemos e somos comidos, matamos e morremos, tentamos sair.

No mapa da saída de incêndio, há uma interrupção, morremos antes. Morremos como atores que representam, pois morrem nossos papeis, morre a representação. Qual o lugar do ator? Qual o lugar do teatro? O ator vai ser aquele que apenas está na sua frente, que assim como você é apenas você mesmo na nossa frente. Nos desfazemos de todas as figuras para falar diretamente sobre o que nos incomoda, sem máscaras, nem cenário, a não ser o espaço que dividimos com o público. A cena, assim, se transfigura na sua própria explosão: o restaurante e o desfecho das tramas dos personagens já não existem mais.

Nesse novo território não haverá mais a necessidade de satisfazer as necessidades do público por entretenimento. O texto de Peter Handke apresenta um teatro-discurso, manifesto de insultos que a plateia é obrigada a escutar. Num processo de bricolagem juntamos tudo, picotamos, repartimos, deslocamos, inventamos. O resultado é “Abatidos na saída de incêndio”. Energia explosiva de construção de uma peça que, em seguida, é desmontada (literalmente) pelos atores: tiramos as máscaras, rasgamos nossos papéis, somos nós mesmos falando. Apenas falando.


FICHA TÉCNICA

Orientação de encenação

Fran Teixeira

Atores

Ana Márcia, Anthony Lobo, Aury D’java, Bruno Monteiro, Bruno Prata, Delania Melo, Elisângela Castro, Everton Lopes, Francisco Mateus, Gabriel Moraes, Gedson Oliveira, Ianka Oliveira, Lara Pinheiro, Madya Machado, Michelle Gomes, Milza Gama, Hamilton Sales, Nádia Camuça, Riane Aguiar.

Dramaturgismo

Fran Teixeira e Francisco Mateus, a partir de textos dos atores, da dança de Maguy Marin, e das obras de Júlio Cortarzar e Peter Handke.

Criação e direção musical

Gabriel Morais

Preparação vocal

Michelle Gomes

Coreografia

Milza Gama

Fotos

Aury D’java

Produção Executiva

Anthony Lobo

Gabriel Moraes

Riane Aguiar

Figurino

Bruno Monteiro

Francisco Mateus

Michelle Gomes

Cenografia

Bruno Prata

Delania Melo

Elisângela Castro

Hamilton Sales

Comunicação

Aury D’java

Nádia Camuça

Delania Melo

Everton Lopes

Francisco Mateus

Gedson Oliveira

Ianka Oliveira

Release

Nádia Camuça

Everton Lopes

Riane Aguiar

Sonoplastia

Aury D’java

Elisângela Castro

Gabriel Moraes

Ianka Oliveira

Michelle Gomes

Iluminação

Ciel Carvalho e Walter Façanha


Dias 10, 17, 24 e 31 de maio de 2018, às 20h, no Teatro Dragão do Mar. Acesso gratuito. Classificação etária: 12 anos.