Espetáculo “Duplicité”

Maria Vitória

Criação poética traçada pelo risco do teatro, da dança da música. Fala sobre duplos. Nossos duplos. Sobre outros eus que trazemos. Paradoxo de dois eus que nem sempre se correspondem. Devaneio que transita entre o mistério dos duplos e a realidade. É também sobre se ver no outro. Se ver na dor e na alegria do outro. Sobre alteridade. Sobre escrita. Submergir na própria escrita. Sobre se surpreender com a própria escrita. Sobre o instante que sustenta. Sobre viver de forma fragmentária. Sobre l-i-b-e-r-d-a-d-e. Acima de tudo, sobre ter coragem de se sentir feliz.

Sinopse

O espetáculo Duplicité foi criado de forma fragmentária, não linear. Nessa criação, pulsa fortemente a questão do feminino, uma mulher na literatura, soterrada pelos seus escritos. Além disso, questionada e desafiada pela sua própria escrita. Dos seus escritos surge seu duplo.

Trazendo um devaneio que transita entre o mistério dos duplos e a realidade. A partir do pressuposto de que o ser humano busca conceber uma imagem na qual reconheça a si mesmo e dentro dessa imagem um paradoxo de dois “eus” que nem sempre se correspondem. A força criativa desses “eus” transcende às questões que emergem do próprio indivíduo e são alicerceadas pelo sentido de alteridade, pelo se ver no outro, na dor do outro, na alegria do outro.

A atriz Maria Vitória contracena com uma boneca como uma concretização imagética do duplo da personagem. A personagem e seu duplo vivem de forma fragmentária, sustentadas pelo instante e surpreendidas com a própria escrita, numa dramaturgia esfacelada. A montagem transita entre o teatro, o teatro de bonecos, a dança e a música. Esses elementos não interagem de forma estanque, formam uma unidade, entrelaçam-se e se confundem a todo instante.

Sobre a montagem

A partir do sentido de atriz-criadora, a peça é um solo da atriz, diretora e dramaturga, Maria Vitória. A montagem transita entre o teatro, o teatro de bonecos, a dança e a música. Esses elementos não interagem de forma estanque, formam uma unidade, entrelaçam-se e se confundem a todo instante.

Uma boneca representa o duplo da personagem/escritora que está em cena. A boneca é da técnica do boneco geminado: esta técnica de manipulação parte do princípio da simbiose do ator com boneco, resultando desse processo personagens compostos por dois elementos: as artes plásticas e o humano. Tal hibridização forma uma inteireza, um terceiro corpo. A boneca também dança, a ideia é que não existam fronteiras entre o teatro, a dança e o teatro de bonecos.

O espetáculo está em constante construção, durante as apresentações há uma interrupção para um diálogo direto com a plateia, assim, a cada peça são agregados mais elementos oriundos desses diálogos. Além disso, a peça conta também com uma dramaturgia musical que não apenas faz um desenho sonoro, mas busca novas significações para o espetáculo, significações e imagens que somente a música poderia trazer. A criação da dramaturgia musical é assinada por Gustavo Portela e executada em cena pelo próprio Gustavo e pelo músico multi-instrumentista Rami Freitas.

Sobre a atriz

Maria Vitória se dedica ao fazer artístico desde a década de 1990. Seus últimos trabalhos foram: Tudo ao Mesmo Tempo Agora (peça de teatro e dança na qual atua, dirige e assina o texto que foi premiado no Edital de Dramaturgia Feminina da Secretaria de Cultura de Fortaleza); Frei Tito – Vida , Paixão e Morte (espetáculo teatral no qual participa como atriz, através desse trabalho de atriz recebeu o Prêmio Ceará em Cena de melhor atriz de 2014/2015); Asja Lacis já não me escreve (peça teatral na qual assina o texto e a direção); Além, Aquém Daqui (direção e orientação dramatúrgica a convite da Escola Porto Iracema das Artes/2017).

Desde o ano de 2003, investiga possíveis treinamentos para o ator-criador e atualmente desenvolve uma pesquisa a partir do diálogo entre teatro, dança e teatro de bonecos. É graduada em Letras-Português-Francês (UFC) e mestra em Artes Cênicas (UFBA). Os resultados de suas pesquisas são compartilhados através dos grupos com os quais teve ou tem contato, por via de cursos e oficinas de teatro, trabalhos acadêmicos e através de seus espetáculos teatrais. Durante mais de duas décadas, Maria Vitória, vem se dedicando de forma ininterrupta ao fazer artístico. Sempre em uma atitude de resistência de ter a arte como única atividade profissional.

Ficha técnica

Criação: Maria Vitória

Consultoria: Graça Freitas

Direção musical: Gustavo Portela

Multi-instrumentista: Rami Freitas

Iluminador: Fábio Oliveira

Assistência de produção : Lara Xerez

Captação de imagens: Cláudia Rodrigues

Preparação vocal: Priscila Ribeiro

Dias 11, 18, 25 de maio de 2018, às 20h, no Teatro Dragão do Mar. Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia). Classificação etária: Livre.