A data foi instituída pela Organização Mundial de Saúde com o intuito de alertar para a importância do tratamento das alergias

Nos últimos anos, cada vez mais pessoas têm sido diagnosticadas com algum tipo de alergia, seja respiratória, medicamentosa, de pele ou alimentar. Por essa razão, a Organização Mundial da Saúde (OMS) instituiu o dia 8 de julho como o Dia Mundial da Alergia, visando alertar a população para a importância do tratamento das alergias, que, em casos mais graves, podem levar até à morte.

Segundo o clínico geral do Hapvida, Dr. Ítalo Jorge Norões, esse aumento de pessoas alérgicas não é só uma percepção não. De fato, nos últimos 50 anos, cresceram significativamente a quantidade de alérgicos. “Com a migração da população do campo para a cidade, as pessoas estão mais expostas à queima de combustíveis dos carros e ônibus, por exemplo, e isso aumenta a quantidade de poeira, ácaro e poluição em nosso meio”, enfatiza. Além disso, segundo o médico, a tendência das pessoas morarem em ambientes menores e passarem o dia em ambientes fechados com ar condicionado, também favorece a proliferação de ácaros, que respondem sozinhos por 50% dos agentes alérgenos do nosso meio ambiente. Outro fator preponderante para o aumento da incidência de alergias é a alimentação. “Antigamente, as pessoas comiam arroz, feijão, carne e salada. Hoje, cada vez mais as pessoas procuram uma alimentação pré-fabricada, congelada, e esses alimentos trazem muitos conservantes que também podem causar crises alérgicas”, acrescenta Ítalo Norões.

Mas no que consiste as alergias? Segundo o clínico geral, as alergias são as respostas exacerbadas do nosso organismo a determinados agentes que temos contato no nosso dia a dia e algumas pessoas são mais predispostas a apresentar essas respostas. “A hereditariedade é a base para o desenvolvimento das alergias. Estima-se que 15% das crianças, em geral, venham a desenvolver algum tipo de alergia. Se essa criança tem um pai ou uma mãe alérgico, esse risco dobra. Se for o pai e a mãe, esse risco quadruplica”, conta. Esses números mostram que a hereditariedade é sim um fator importante, porém, não é só isso que influencia no desenvolvimento das alergias. De acordo com o médico, é necessário a hereditariedade associada à exposição aos fatores ambientais, aos alérgenos.

A alergia não tem cura, apenas controle. Por isso, ao primeiro sintoma de uma alergia, a pessoa deve procurar ou um pediatra, ou um clínico geral ou um alergologista. Um destes profissionais deve solicitar exames de sangue como dosagens de IgE (imunoglobulina) e/ou testes de contato (testes intradérmicos e prick testes). Com os resultados destes testes, associado aos exames clínicos é fechado o diagnóstico de alergia. E, uma vez diagnosticada, a pessoa deve iniciar um tratamento para combater a crise alérgica.

De acordo com o Ítalo Norões, o tratamento das alergias é feito usualmente com anti-histamínicos, corticoides e vasoconstritores nasais, prescritos por médicos para tratamento de crises agudas, bem como prevenção de novas crises. Entretanto, existem alguns pacientes que precisarão recorrer à imunoterapia, um tratamento com vacinas e medicamentos orais, que ajudam a evitar ou prolongar o espaço de tempo entre uma crise e outra. Em casos extremos, o paciente poderá precisar ainda fazer uso de adrenalina, mas esse último recurso só é utilizado no ambiente hospitalar.

Tipos mais comuns

As alergias costumam se apresentar em quatro tipos mais frequentes: medicamentosa, alimentar, respiratória e de pele. A alergia a medicamentos e a alergia alimentar, quando o paciente é alérgico à proteína do leite de vaca, a camarão, crustáceos, podem desencadear reações na pele e no sistema respiratório, com diminuição da respiração, dispneia, além da diarreia ou outros sintomas gastrointestinais.

A alergia respiratória, provavelmente a mais comum no nosso meio, como a rinite e asma, pode fazer com que o paciente apresente dispneia, falta de ar, nariz entupido, espirros (comuns na rinite). Por fim, existem ainda as alergias de pele, urticárias e dermatites atópicas, nas quais o paciente passa a apresentar placas vermelhas na pele com ou sem prurido (coceira).

Alguns quadros alérgicos podem desencadear consequências extremas, como o choque anafilático ou o angioedema (edema de glote). Esses são casos de emergência médicas.

Prevenção

Algumas atitudes e cuidados podem contribuir para que o indivíduo não desenvolva alergias ou pelo menos não tenha crises alérgicas recorrentes, e os pais podem ser fundamentais nesse momento. Uma dica importante para evitar o desenvolvimento de alergias é a amamentação. “As mães devem amamentar seus filhos exclusivamente até os seis meses de vida, pelo menos, pois o leite materno passa para o bebê imunoglobulinas, dentre outras proteínas e vitaminas que vão atuar fortalecendo o sistema imune da criança, podendo evitar que elas tenham algum tipo de alergia”, reforça o clínico geral.

Outro cuidado importante que as pessoas devem ter é com o ambiente onde vivem, uma vez que as alergias respiratórias são as mais comuns. “Se na casa tiver gato ou cachorro, não se deve permitir que eles entrem no quarto, nem durmam na mesma cama que o alérgico. É preciso ainda ser vigilante com a limpeza dos ambientes, trocar os lençóis pelo menos uma vez na semana, usar capas anti-ácaros nos colchões e travesseiros, lavar cortinas e tapetes, pelo menos a cada dois meses, usar o aspirador de pó, enfim, ter um maior controle sobre o ambiente em que se vive”, finaliza.