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Psicóloga do Hapvida dá dicas de como lidar com o câncer de mama

A profissional destaca a importância de contar com uma rede de apoio, além de informações acerca do problema no enfrentamento da doença

De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil – depois do de pele não melanoma – e responde por cerca de 28% dos casos novos a cada ano. Para 2018, o INCA fez uma estimativa de que seriam 59.700 novos casos no país, sendo 2.200 no Ceará. Os números alarmantes nos mostram que é preciso atenção à doença, seja na prevenção, seja no suporte às mulheres que recebem o diagnóstico de câncer de mama. Nesse sentido, a psicóloga do Hapvida Saúde, Raíssa Serpa, dá alguns conselhos de como lidar com a doença.

O momento em que a mulher recebe o diagnóstico costuma ser um dos mais difíceis e, muitas vezes, algumas passam por um processo complicado de aceitação da doença, pois, segundo Raíssa Serpa, a percepção do que é a doença pode ser diferente entre as pessoas. Ela destaca ainda que é importante que a mulher receba todas as informações referentes ao tratamento que será realizado e também ao prognóstico, pois esclarecer tudo isso é melhor do que não fazê-lo por medo de a paciente não suportar sofrimento emocional em decorrência da má notícia. “Porém, também é importante enfatizar que o profissional responsável por transmitir as informações acerca do diagnóstico deve considerar o nível de escolaridade e o estado mental do paciente, ou seja, se a pessoa é capaz de compreender seu quadro atual de saúde”, lembra.

Outro momento difícil de enfrentar para as mulheres diagnosticadas com câncer de mama são as mudanças físicas e psicológicas pelas quais ela passam. Essas mudanças inclusive costumam vir juntas, pois, de acordo com a psicóloga do Hapvida, corpo e mente não são indissociáveis e, portanto, alterações no corpo podem afetar aspectos emocionais. “Se o indivíduo apresentar abalo emocional em decorrência de alterações físicas é indicado que seja realizado acompanhamento psicológico, pois falar sobre angústias a um profissional da Psicologia pode ter resultados positivos. O acompanhamento contínuo com os médicos especializados no tratamento oncológico pode auxiliar também, pois são os que podem fornecer informações mais confiáveis sobre as mudanças físicas possíveis de ocorrer”, aconselha.

Uma das mudanças físicas que podem ocorrer é decorrente da necessidade da retirada da mama para conter a doença. A mastectomia tem um impacto significativo na autoestima da mulher, por isso ela precisa de ainda mais apoio nesse momento. “Participar de algum grupo com objetivo de trocar experiências com outras pessoas que já passaram por essa situação pode ajudar para que a pessoa sinta-se acolhida e com sentimento de pertencimento. Como forma de preparação também é importante que sejam tiradas todas as dúvidas possíveis com os profissionais especializados para se ter ciência dos riscos da cirurgia e também saber de perdas e ganhos a partir dessa decisão”, acrescenta Raíssa. Após a mastectomia, muitas mulheres optam pelo implante de próteses de silicone, o que pode ser uma boa alternativa, mas a psicóloga reforça que esse procedimento não deve ser imposto.

Outras fontes de suporte

Além da participação em grupos de suporte às mulheres com câncer de mama, outra fonte de apoio fundamental no tratamento da doença são a família e amigos. “É essencial que o paciente em sofrimento emocional devido diagnóstico de câncer de mama tenha uma rede de apoio com a qual possa contar, pois a autonomia pode estar comprometida. Fingir que nada demais está acontecendo não ajuda, e, portanto, familiares e amigos devem escutar e estar presentes na vida do indivíduo com diagnóstico de câncer e encaminhar para acompanhamento especializado quando não mais suportarem por si só”, reforça Raíssa.

Os animais de estimação também podem ajudar no enfrentamento da doença, apesar de não existir uma regra quanto a isso, pois, como enfatiza a psicóloga, cada pessoa experiencia o convívio com animais de modo diferente. “Para alguns pode ajudar, mas para outros pode ter algum efeito negativo”, conta.

De acordo com Raíssa Serpa, a leitura pode ser também uma aliada nesse processo, contribuindo para ajudar o paciente a elaborar seus conflitos. Entretanto, ela alerta para os conteúdos e fontes do que é lido. “Não é interessante buscar informações em fontes desconhecidas na internet, pois podem haver equívocos em relação ao diagnóstico, forma de tratamento e prognóstico, e, portanto, podem ter feitos negativos ao paciente”, finaliza.